segunda-feira, 19 de junho de 2017

O FRUTO PROIBIDO DO REGENTE DO SIGNO DE CANCÊR: SENHOR DOS OPOSTOS

EDENISMO




"VERSO AO SENHOR DOS OPOSTOS"


SAI DAS ÁGUAS DE POSEIDON ANDANDO PELAS AREIAS, JUNTO DE SAGITÁRIOS EM AQUÁRIOS. REZEI PARA OS PEIXES SE MULTIPLICAREM E FIZ DOS ESCORPIÕES UM ERA PUNK.
ELES SABIAM QUE TATURUS E AS VIRGENS ALADAS, BEM COMO DO LEÃO DE GÊMEOS ME ACOMPANHAVAM.
SÓ NÃO AVIAM AVISTADO AINDA, CAPRICÓRNIOS A MINHA FRENTE!
SOU O FRUTO DE LIBRA DADO NA TERRA, GERADOR DO ÉDEN E DOS EDÊNICOS, QUAL ARIES FEZ DE MIM A GUERRA DOS REINOS.
E NA CONTRA ADIÇÃO ME TORNEI A SOMA, A CRUZ GERADORA DAS METRÓPOLES.
AO LADO DE CAPRICÓRNIO, SOU E ESTOU AGORA ANUNCIANDO A ERA DE AQUÁRIO A ERA DAS GRANDES CAPITAIS MUNDIAIS COMO VERDADE DOS PRÓXIMOS 2.000 ANOS.
MEU NOME VAI JUNTO AO MEU TEMPLO, COMO O NOME DE ED O ÉDEN SE FEZ, O MEU NOME "EDUARDO" SE FEZ COM O MEU CLÃ DE AÇÃO, NASCENDO O CLÃ EDUCAÇÃO.
MINHAS ESCOLAS E UNIVERSIDADES SÃO O MEU TEMPLO, TEMPLO CAMPEÃO, TEMPLO DE TIME GRANDE (TIMÃO), TEMPLO DA FÊ NO CONHECIMENTO COMO LIBERTAÇÃO.
NÃO ESPERO DE VOCÊS MENOS QUE A AÇÃO DIRETA DE DERRUBAR A HEGEMONIA DA MENTIRA DENTRO E FORA DO MEU TEMPLO (EDUCAÇÃO).
DO ÉDEN AS METRÓPOLES, VOS RECEBO COMO ETERNO FRUTO PROIBIDU DO CONHECIMENTO.

segunda-feira, 28 de novembro de 2016

terça-feira, 22 de novembro de 2016

A ESTÉTICA POLÍTICA NA CONTRACULTURA: O ANARQUISMO DA ANONYMOUS E DA BLACK BLOCK


EDUARDO DA MOTTA PRETO 
TESE DE INICIAÇÃO CIENTIFICA
Licenciatura em Artes
A ESTÉTICA POLÍTICA NA CONTRACULTURA:
ANARQUISMO DA ANONYMOUS E DA BLACK BLOCK

Tutor Prof. Dr. Wagner Montanhini

Claretiano - Centro Universitário

POLO SANTA CECILIA
SÃO PAULO, 2016

RESUMO: A ESTÉTICA POLÍTICA NA CONTRACULTURA:
ANONYMOUS E DA BLACK BLOCK

A estética política na contracultura, é um trabalho que enfatiza o acumulo histórico como conceito dos antecedentes, no empoderamento coletivo da imaginação de clandestinidade revolucionaria contracultural no que diz respeito à formação do referencial do uso da insurgente mascara da vanguarda das juventudes anarquistas, constituídas como partido hacker internacional, conhecido mundialmente pelo nome Anonymous. O sujeito social aqui abordado são as tribos urbanas surgidas após o curto verão da anarquia, ocorrido na revolução espanhola de 1936, e ressurgidas como tribos urbanas na década de 1950, se politizando na década de 1960, se radicalizando na década de 1970, se declarando anarquistas na década de 1980, se tornando agentes cypherpunks na década de 1990, se mistificando como mito na década de 2000, se organizando clandestinamente como partido anarquista internacional na década 2010, que insurgiu nas ruas de todo mundo em 2013, como fenômeno político, criminalizado e perseguido em seu modulo cosplay politizado.

PALAVRA CHAVE: Tribo Urbana; Contracultura; Ciberativismo; Anonymous; Anarquismo.

Agradecimentos: Agradeço a toda juventude anarquista (Católica) reclutada para a insurgência contra a cultura protestante que valoriza mais o dinheiro do que os valores agregados aos princípios do “Cristianismo Libertário” e dedico este trabalho as gerações de codificados que criptografaram os códigos da insurgência, descritos nas entrelinhas como Teologia da Revolução, codificada em um imenso mapa da anarquia, onde um livro se liga a outro, onde cada letra é um criptograma proibido as massas populares.

1. Introdução

Em meio ao cenário político internacional da guerra no Vietnam, a contracultura nasceu da recusa das juventudes para com o serviço militar obrigatório, encarnando a arte em movimentos de corpos com almas políticas e de espírito subversivo. Assim a Deusa da Arte que altrora estava presa a bruta física escultural estatuante, pode desfilar em meio a um cenário político imaginário e subversivo, onde a militância Hippie formava agentes da contracultura, que produziam os sujeitos sociais artísticos, em meio ao cenário da politização das tribos urbanas em plataformas de utopias ideológicas, organizadas com símbolos estéticos ideológicos quais criavam a unidade mística e mítica das juventudes.
Estes agentes contraculturais desenvolveram uma arte política que influenciou amplos setores sociais, como da: arte, moda, estética, comunicações, comportamento, política, educação, religião, musica, alimentação, medicina, artesanato e economia. Que se identificou com as juventudes anarquistas, qual estava mais radicaliza e organizada.
Ao se buscar as influencias históricas para entender a estética política da contracultura, percebesse que esta é um estilo artístico politizado, que se reconhece como sujeito social artístico organizado politicamente e justificado no cenário das conjunturas políticas de tempos e espaços fortuitos. Assim este artigo reconhece a radicalização dos sujeitos sociais artísticos em sua estética artística política. Que começa nas tribos urbanas, se politiza na contracultura, se radicaliza com o movimento punk, se identifica ideologicamente com o anarquismo, se torna agente contracultural hacker, se mistifica como mito na mascara de Guy Fawkes, se organiza clandestinamente como partido anarquista internacional conhecido mundialmente como Anonymous e que cria um braço tático fantasma de ação direta conhecido também mundialmente por tática Black Block.
Entendendo estas tribos urbanas contraculturais de forma inter-relacionada e organizada como imaginário de unidade insurgente, busquei uma literatura embasada como pesquisa e método de analise, para entender estas como um partido de juventudes.

2. Da Tribo Urbana a Contracultura

As juventudes quando juntas, tem um grande potencial de transformação e por isto são motivos de inúmeros artigos que tomam de assalto os noticiários, bem como são a vedete dos pesquisadores que buscam conceituar algo que esta em permanente gestação e movimento.
Maffesoli (2006) conceitua que as tribos urbanas são subsociedades formadas por grupos de afinidades constituídos por amigos com interesses comuns de pensamentos, hábitos e maneiras de se vestir, organizadas em redes de interesses que estruturam novas identidades nas megalópoles, onde o que está em jogo é a sua potência contra o poder, mesmo quando mascarados para não serem esmagados. E define Maffesoli que a metáfora tribo permite a desindividualização, integrando a máscara as cenas e situações de valor coletivo, constituída da multiplicidade como paradigma estético do vivenciar em comum. Onde a história construída associadamente é o mito do qual se participa. Neste contesto os mitos moldam formas emblemáticas idealistas, possibilitando se reconhecer como parte do grupo ao trajar-se da figura mítica social idealizada como expressão da estética coletiva da tribo. 
No contexto de interesses comuns de pensamentos, as tribos urbanas se afunilam quando surgi um diferencial de medida, como o grau de consciência política, onde, não só, se traja uma estética coletiva, mais se interioriza um espírito de comportamento político contracultura ao manter em sua alma uma posição política contraria as injustiças.
Pereira (1983) aborda a contracultura como manifestação artística, promovida por juventudes libertárias de 1960, que tinham uma postura de crítica radical de oposição sócio cultural ao conservadorismo, a sociedade de consumo e a guerra no Vietnã. Quais sobre as câmeras da mídia americana ganharam o rotulo de contracultura, para designar as manifestações político-culturais que floresceram por todo o mundo como fenômeno e tema obrigatório, ao perceberem que as juventudes estavam sendo recrutadas e se tornando Hippies, quando se identificavam com uma cultura diferente do padrão hegemônico cultural americano, por esta pregar ao mundo, mais paz e amor.
Guamaccia (2010) descreve a revolução cultural empreendida pelas juventudes anarquistas ao gerar feitos criativos com o uso da provocação: Entre 1965/67, Amsterdã foi transformada no centro da desobediência civil, onde a imaginação estava no poder e a provocação era uma imagem atuante desta imaginação como consciência de ação direta dentro da sociedade do espetáculo, em resposta a designação capitalista que colocava todos somente como espectadores passivos. Foi quando manifestações espontâneas, performáticas e contestadoras se alastraram por Amsterdã em encontros organizados pelas ruas sob o espanto geral da população e da polícia, que enxergava ali somente uma porção de baderneiros.
Na década de 1970, alastrou-se o movimento provocativo, como observa Brandão & Duarte (1990); O Punk demonstrou uma atitude rebelde desprendida de regras e conceitos da sociedade, com seu comportamento de contestação estética e política expressa nas suas roupas, fanzines e musicais. Bandas de Punk Rock surgiram para colocar nas paradas musicais as frustrações e os problemas da sociedade, através do comportamento de jovens com idéias e conceitos de uma sociedade em crise ideológica, que buscava novos referenciais no pós-guerra. Nesta busca de alicerces ideológicos os punks encontraram o anarquismo e se organizaram em um partido anarcopunk internacional, transvertidos para ninguém suspeitar de seu imaginário de clandestinidade revolucionaria em meio a uma sociedade do espetáculo, onde a televisão exercia um grande poder na imaginação das pessoas e a provocação era o seu estilo de arte.
Esta provocação ideológica marca o debate da estética política da contracultura, ao se constituir como nível político anarquista. Como descrevesse Liberato no seu livro: Rebeldia, Poder e Fazer da Juventude Autonomista:

Nosso caminho se nesse entrelaçamento da luta de classes como contracultura (e vice-versa), do proletariado como Juventude, do Anarquismo como corrente política da autonomia. Nossas palavras chave; rebeldia, revolta, autonomia, anarquismo, juventude, contracultura, anticapitalismo, passe livre, estão entrelaçadas, e uma se reporta em geral às outras [...] (LIB; 2006 P. 74).

A frase de ordem punk: Faça você mesmo! Se somou com a estratégia anarquista de ação direta, unindo gerações revolucionarias por um buraco de minhoca na realidade do imaginário das juventudes anarquistas. Ao unir de um ponto ao outro as perspectivas das barridas, como observa Liberato nas frases acima e abaixo:

O princípio da ação direta diz respeito à forma de organização do movimento que implica em democracia direta e na recusa a reproduzir internamente os moldes de representação e delegação da democracia burguesa/representativa, ecoando no faça-você-mesmo dos punks como movimento contracultural [...] (LIBERATO; 2006 P. 80).

LIBERATO (2006) ao descrever a produção de pets, fanzines, roupas, estéticas e musicais punks, descreve também conceitos do nível econômico punk e anarquista, acrescentando valor cultural econômico produtivo no significante existente na contracultura punk do faça você mesmo: O capital subcultural é o conhecimento cultural dos bens adquiridos pela subcultura que eleva seu status diferencial ao de outros grupos, (produzindo) com o seu próprio valor-signo.
MALINI & ANTUN (2013) Abordam que a estética política da contracultura, juntamente com o seu capital contracultural se valorizaram, quando os militantes transvestidos como tribos punks, adquiram as tecnologias, fazendo surgir à mídia militante, e descreve: O midiativismo é a manifestação de comunidades de comunicações libertárias, desenvolvidas por coletivos ou colaboradores individuais, que produzem de forma diferente da narração da mídia de massa sobre os acontecimentos, permitindo-se como mídia participativa ao arcar de forma coletiva com a dificuldade de produzir, a diferença espetacular de sua forma de existência, como mídia da multidão nas manifestações, ao estrear a experiência militante do jornalismo pós-telespectador e pós-TV nas redes, com manifestantes virtuais ativos nos protestos/emissões discutindo, criticando, estimulando, observando e intervindo nas transmissões em tempo real.  

3. Dos Cypherpunks aos Anonymous

O valor signo da contracultura perpassa como identidade das juventudes e é absorvido pela sociedade de consumo que tenta cooptar e se expropriar deste capital subcultural, até descobrir que convidaram o inimigo para dentro de casa, reagindo a este estranho no ninho, como se observa Assange no seu livro, Cypherpunks Liberdade e o Futuro da Internet:
Os atores cypherpunks instituíram um novo legado na utilização da criptografia por se opor às opressões internacionais. Surgidos em 1990, os cypherpunks utilizam do método da criptografia como meio para provocar mudanças sociais e políticas, através de criptoguerras. O termo cypherpunks foi incluído no Oxford English Dictionary em 2006 e censurando no ano seguinte. (ASSANGE, 2013)
O contexto cypherpunks de aproximação entre mídia e as preocupações sociais, se tornou um fenômeno e escapou das redes da censura por gerações interessadas em uma nova arte tribal contracultural, como reforça Mello (2008, p. 220):
A cultura urbana das mídias proporcionou gerações de artistas interessados nas linguagens digitais de recursos interativos nas comunidades virtuais, preocupadas com transformações políticas sociais estabelecidas por mediações simbólicas de novos significados, na recepção do trabalho artístico ativo entre cidade e contexto midiático compartilhado.

Galvão (2012) em seu livro Contra Cultura Digital, artigo: Sistema Fortuito (Des)Encontro: Estratégia Hacker de um sistema telemático. Observa-se claramente a proposta de uma Arte Hacker de resistência como acumulo da contracultura militante: A arte hacker é uma jogada de provocadores, entre mídias e o processo de significados, ao intervir na programação do discernimento, através da janela comportamental e das tecnologias digitais como estratégia de apropriação, desterritorialização e deslocamento de redes sociais para um espaço clandestino no ciberespaço, redesenhando relacionamentos e abolindo fronteiras. (GALVÃO, 2012)
Galvão (2012) descreve também o nível político-econômico cypherpunk: As redes digitais, rádios piratas, documentários ativistas, blogs, flashmobs, distribuição livre de mídias e ciberativismos globalizaram a resistência frente às tecnologias no campo artístico, servindo como aparato espetacular da sociedade midiatizada e como ferramenta subversiva contra a mesma sociedade que a desenvolveu, fazendo da arte hacker uma estratégia na contramão do sistema centralizador, subvertendo a programação ao abrir e socializar o código. Assim entre campanhas open source, arte e mídia, surgiu uma nova subcultura subversiva de resistência no ciberespaço contra o controle das empresas sobre usuários, disseminando a cultura como regra.
Fazendo da socialização uma estratégia hacker, Galvão (2012) conceitua: A estratégia artística hacker não se finda em grafismo da programação para fundar-se como arte generativa, nem no uso tático/estratégico de mídias na apropriação artística. Por outro lado explora a possibilidade de sistemas de comunicação e aceita a operação como diferença na sua filosofia de signos reunidos na jogada comumente mensurada da própria linguagem misturada.
Os cypherpunks tornaram-se dominadores do código e mestres das codificações, além de somarem recursos e aprenderam a usar o imaginário das massas televisionadas e aprisionadas pelo capitalismo cognitivo, para libertar estas dos signos escravagistas pretensiosamente televisionados em códigos hipnóticos de natureza camuflada, transmitidos nas muitas mensagens subliminares da dominação cognitiva. Assim usaram o veneno da serpente como soro de libertação, se trajando como tribo urbana do cosplay libertador, para não surtir desconfianças (pelo menos na sua primeira aparição pública) sobre o seu clandestino partido hacker internacional de caráter contracultural, conhecido mundialmente como Anonymous.
Assim veremos no livro de Murilo Machado, “Anonymous Brasil: Poder e Resistência na Sociedade de Controle”, um pouco desta sacada hacker que não só se apropria da produção hollywoodiana, mais que também aprenderam a reverter os interesses que estão em jogo, aos seus objetivos libertários:

A partir do ano de 2008, o hacktivismo não apenas começa a renascer, mas o faz emergindo do espaço underground e criando imenso alarde, a ponto de preocupar governos e corporações do mundo inteiro. Pretensamente escondidos pela máscara de Guy Fawkes, que se tornaria o símbolo principal dos Anonymous, centenas de indivíduos e grupos hacktivistas espalhados por todo o mundo sentiram-se à vontade para começar a realizar diversas ações, esforçando-se ao máximo para chamar a atenção da imprensa internacional. (MACHADO; 2013. P. 21)

Eles simplesmente entraram na brecha do sistema, por serem uma geração de codificadores que sabiam que o deus Eros é a codificação para Heróis e assim trajados como cosplays insurgentes e sex, em nome do sincretismo religioso, em torno do nome da santa/deusa Ana da anarquia, “falando elado de poposito” (referência a personagens da turma da Monica) em nome da jogada em torno da matriarca do Catolicismo, insurgiram como vanguarda mascarada de Revolucionários Católicos, atualizados na era da internet.

No mundo contemporâneo, é possível afirmar que as tecnologias digitais de comunicação tornaram-se algumas das principais ferramentas da sociedade de controle, sendo que a Internet passou a ser uma de suas maiores expressões e os hackers, um de seus principais atores políticos. (MACHADO; 2013. P. 34)

Machado (2013) ainda nos diz que as formas de hacktivismo têm a característica de representar formas modernas de resistência social à medida que nossa sociedade desmaterializa a vida sociocultural por meio da mercantilização de nossos espaços íntimos imateriais. Assim o hacktivismo representa politização e domínio sobre tecnologias do espaço imaterial. Isso significa gerar abstrações combatendo abstrações: onde de um lado a vida é mercantilizada no espaço imaterial abstrato e do outro a desobediência civil eletrônica conta com corpos abstratos para a ação direta respaldada pela presença física. Ao criar novas formas de tecnologia propagadas pela produção virtual, aprimorando suas abstrações e resistências. Por isso os hacktivistas são o primeiro movimento social da virtualidade contracultural.
Machado (2013 apud COLEMAN, 2012, p. 103) compartilha deste ponto de vista ao afirmar “O Anonymous é sustentado e por vezes amplificado, não apenas pelo uso eficaz de tecnologias de comunicação, mas por uma cultura que floresce na tensão entre a ordem e a desordem, entre o frio e o quente, a seriedade e o luz, o anonimato e a transparência”
O Surrealismo foi à vedete artística da juventude punk anarquista, qual codificou estas pinturas em seus filmes e na contra capa do EP da banda Dead Kennedys e agora também o fez como logotipo da Anonymous, como descreve a tietagem no livro: Nós Somos Anonymous; Por Dentro do Mundo dos Hackers de OLSON, Parmy, 2014, P.12:

Seus panfletos e mensagens digitais mostravam o logotipo de um homem sem cabeça trajando terno e cercado por ramos da paz (ao estilo dos ramos de oliveira do símbolo da ONU), supostamente inspirado na pintura surrealista de René Magritte, aquela com um sujeito de chapéu coco e a maçã verde. Muitas vezes incluíam a máscara de Guy Fawkes, o revolucionário londrino adornado no filme V de vingança e agora símbolo de uma horda rebelde e sem rosto [...]

A Anonymous muito mais que codificadores das comunicações midiáticas se transformou por causa das preocupação com a integridade dos indivíduos militantes, em uma agencia clandestina formada por agentes da contraespionagem e isto fez da Anonymous um serviço contracultural de contraespionagem, como relata Olson:

Sabu acreditava que o maior poder do Anonymous era sua falta de hierarquia. Ele indicava um programa de contrainteligência do governo dos EUA nas décadas de 1960 e 1970, chamado Cointelpro, que viu o FBI silenciosamente subverter organizações ativistas e políticas. Eles tinham utilizado táticas similares às da HBGary, de subterfúgio e desinformação, para implodir o poder das organizações, desde os; Panteras Negras até a Porto Riquenha, FLN, desde a KKK até gangues mexicanas, muitas vezes com agentes infiltrados. O motivo pelo qual essas organizações minguaram, acreditava Sabu, justificava-se pelo fato de terem uma hierarquia estruturada [...] (OLSON; 2014, P. 225)

As mensagens da Anonymous aos seus perseguidores/inquisidores estão recheadas de códigos que remetem a filmes e a historicidades geográficas, tais como o filme: A mente colméia, em menção ao hexágono hebraico, e o Baixo ventre da sociedade anárquica, que faz menção ao continente de Anatólia (Matriarca Ana), berço do príncipe Anarquista Vladimir Drácula, e hoje a atual Turquia:

Ao longo dos anos, ela presenciou você entrar no Facebook e no Twitter, ela o observou penetrar na casa dela e tentar ultrapassá-la com seus escândalos e fofocas do “mundo real”. Saiba que o domínio do ciberespaço sempre pertencerá à mente colméia. A internet não pertence a suas amadas autoridades, forças armadas ou pessoas donas de empresas multimilionárias. A internet pertence aos trolls e aos hackers, os entusiastas e extremistas; jamais deixará de ser assim... Isso não quer dizer que a internet é sua inimiga. É sua principal aliada e sua amiga mais íntima; suas compras significam que você não precisa pôr o pé fora de casa, e seus cassinos lhe permitem perder o seu dinheiro a qualquer hora do dia. Suas muitas salas de bate-papo lhe garantem: não é mais necessária interação direta com nenhum outro membro de nossa espécie, e uma rede social detalhada mapeia cada um de seus passos e pensamentos. Seus relacionamentos íntimos e mais obscuros segredos pertencem à horda, e jamais serão esquecidos. Sua existência será eternamente codificada no infinito repertório de belas sequências de bytes, armazenadas de modo seguro na nuvem cibernética para todos observarem... Então bem-vindo ao baixo-ventre da sociedade, à anárquica nebulosa em fluxo de consciência que, cada vez mais, dia após dia, se insinua no mundo não alternativo, o seu mundo. Você não pode escapar dela e não pode antecipá-la. É o pesadelo no limiar de seus sonhos e o nefasto pensamento que crava as garras em sua vida on-line como ofuscante força virtual, desconsiderando suas filosofias e se esbaldando com suas emoções. Prepare-se para entrar na mente colméia, seu filho da mãe. [...] (OLSON; 2014, P. 392)

A Anonymous se auto-explica, dentro do conceito de Maffesoli sobre tribos urbanas, organizadas em rede mascarada que permite a desindividualização, integrando a máscara as cenas de valor coletivo do mito do qual se participa como estética coletiva. Assim percebesse que os codificadores da contracultura estão interconectados pela mesma sintonia de descrições conceitual, como fossem estes unidos no mesmo partido punk contracultural:

Na forma Anonymous, por sua vez, nos é permitido dizer que opera uma política de identidade sui generis. Em grande medida, não se apela para a identidade social de seus apoiadores, que são os mais diversos possíveis. Ao contrário, à primeira vista, pode-se afirmar que, para os Anons, a identidade consiste em relegar momentaneamente a segundo plano sua identidade. Isso significa que a identificação com os Anonymous implica adotar uma identidade coletiva e pretensamente consensual em detrimento das próprias individualidades de seus apoiadores, que passam a ser ocultas. Exige que, por alguns instantes, se abra mão destas, às vezes de maneira radical, conforme observou Coleman (2012), a identificação pode se tornar um problema. Dessa forma, faz-se interessante notar que, por um lado, todos fazem parte da idéia Anonymous e, em tese, contam com uma voz ativa sobre ela. Por outro, no entanto, ninguém está habilitado a falar em nome dela, muito menos a representá-la de alguma forma. Por isso, quando colocam a máscara que imita o rosto de Guy Fawkes, os rostos por trás dela são sobrepujados por todo o ideário por ela carregado. Não obstante, ela valeria muito pouco sem essa atuante multiplicidade de rostos [...] (OLSON; 2014, P. 96)
4. Da Anonymous a Black Block

A mística da clandestinidade revolucionaria, gerou um imaginário de vanguarda anarquista vivenciada coletivamente, onde cada participante individualmente ou coletivamente é a vanguarda imortal da Anonymous, ao simples ato de se mascarar. Considerando que a idéia não morre, considera a anonymous assim, uma idéia, e desta forma uma idéia imortal. E isto significa que cada participante pode ser o mentor intelectual que comunga de um ideal coletivo ao vestir a mascara anarquista.
Mais não é somente a mascara que faz a estética política da contracultura, as roupas pretas da clandestinidade e da identidade coletiva não estão desassociadas entre Anonymous e Black Blocks como deseja a desinformação e a cooptação midiático burguesa, tão pouco esta desassociada do Movimento Passe Livre (MPL). Basta para isto usar o discernimento organicista, onde as pernas são o MPL, onde o gênero esta nos debates da libertação sexual, onde a espinha dorsal são as federações anarquistas, onde o coração são as juventudes anarquistas, onde o estomago são os trabalhadores autonomistas, onde os braços são a Black Block, onde o pescoço é a defesa do voto nulo programático, onde o rosto é a mascara que esconde, multiplica e fortalece o celebro mentor coletivo.
A dupla máscara da Anonymous e Black Blocks criou uma forma de se apresentar cobrindo os rostos para expressar uma identidade coletiva, qual dilui o protagonismo individual e cria a identidade coletiva tribal massiva. Guihon & Pedro (2014) no seu livro; A visibilidade por traz das máscaras descreve a arte como empoderamento coletivo:

A máscara trouxe a força de empoderamento para os indivíduos, que com ela se sentiram à vontade para agir de uma forma mais solta. O fato de estar ou não com máscara fazia diferença na forma de atuar no mundo, como se a máscara permitisse ao sujeito ser e fazer o que jamais faria sem a máscara. Não exatamente em relação à ação direta, mas a se expressar com mais eloquência e afetividade. O que se opõe à idéia corrente de que o verdadeiro eu aparece ao tirar a máscara. Nesse caso, o eu se constrói ao colocar a máscara, ela surge como um elemento que ajuda a compor uma forma de ser e atuar no mundo. Usar a máscara não é uma forma de se esconder, mas de se expressar melhor e com mais vigor. Nesse caso, a conexão manifestantes-máscara ganha vários sentidos, inclusive o de provocar transformações naquele que põe a máscara. Não existe, necessariamente, uma intencionalidade prévia, mas ao se conectarem um campo de possibilidades se abre, fazendo indivíduos agirem de forma não previsível, expandindo sua forma de ser e atuar no mundo [...] (GUIHON & PEDRO; 2014, P. 215)
CAPELLER (2015) Em meio às vitórias na disputa audiovisual acerca da verdade dos fatos, como demonstração de que a PM forjara flagrantes, permitiu a mídia livre ameaçar a grande mídia na construção das narrativas dos acontecimentos, o que fez com que o padrão midiático-narrativo da oficialidade recorrente, realiza-se uma caça as bruxas do partido anarquista. A máscara anarquista remete a mídia como fonte das novas gerações dos quadrinhos de Alan Moore e do filme V de Vingança, acerca de Guy Fawkes um católico inglês rebelde e enforcado em 1606! Nada demais em meio a um ciclo de protestos de multidões que entoavam slogans publicitários enquanto Cosplayeres lideravam marchas e ocupavam prédios públicos em um cenário de releitura da sociedade do espetáculo como assombro da sociedade de controle, que estabelecia a cisão entre vida real e imaginação televisionada, tornando a experiência humana alienada da crença na realidade, onde em meio a este momento conturbado, Darth Vader candidata-se a presidente na Ucrânia, que vive uma guerra civil, e no Brasil se elege de um lado o palhaço a deputado federal e do outro lado, a mamãe metralha, a presidenta. É neste momento de dimensão espetacular, aparentemente separada da realidade que se alteram as coordenadas políticas e surge à máscara projetada sobre uma identidade de vanguarda anarquista mundial em apologia a clandestinidade revolucionaria. A esquerda confusa e despreparada para novos paradigmas de embates ideológicos acaba errando o alvo ao procurar identificar o estado de exceção à anarquia, do qual a Black Block é braço de ação direta da expressão deste corpo social televisionario. Assim erroneamente a esquerda vincula a esquerda anarquista ao totalitarismo inerente à sociedade do espetáculo, jogando no lixo o discernimento organicista capas de interpretar este corpo político insurgente. Uma oposição estabelecida entre herói e vilão é vista claramente no filme V de Vingança, que serviu de inspiração para a anonymous. Na adaptação cinematográfica o personagem é considerado um vilão para o governante ditador e seus aliados, enquanto é visto como herói pelos oprimidos, que percebem nele uma chance de lutar contra a dominação. Nesse sentido, a cena final é emblemática: o povo vai às ruas com máscaras de Fawkes para marcar a oposição ao regime, transformando o personagem que era tachado de vilão em herói. De forma semelhante, o grupo Anonymous trabalha com essa oposição.
Tendo em vista os hackers como atores sociais, a Anonymous evidencia um papel político de importância na sociedade contemporânea; MACHADO (2012) o conhecimento sobre os protocolos que norteiam a estrutura vigente possibilita aos hackers uma posição de resistência que escapa ao restante da população. O domínio da linguagem da dominação na cibercultura proporciona aos hackers em especial a Anonymous a exploração das potencialidades do espaço virtual para ações contrárias ao modelo vigente. Mais do que isso, os hackers não ignoram ou desejam a morte do protocolo, mas são os arautos das principais possibilidades dele. É por isso que as principais ações políticas diretas empreendidas por hacktivistas valem-se dos próprios protocolos para resistir, ludibriar e hipertrofiar o controle social.

5. Da Black Block a Arte do Anonimato

A arte do anonimato é uma critica a intelectuais e instituições que querem se apropriar do conhecimento, criticando e proibindo uma geração revolucionaria mascarada de Wikipédia. Esta geração proibida historicamente de existir, tanto pelo preconceito do status cool, como pela força das leis anti-hacker e anti-mascara ou ainda pela brutalidade do terror da guerra de Estado, não desistem e se reúnem clandestinamente mundialmente pela internet, preferindo produzir e socializar, ao se apropriar do conhecimento, como fazem os pseudo-intelectuais. A arte do anonimato prefere se proteger lutando a ter que beijar as botas da burocracia da academia de letras.
Guihon & Pedro (2014) no seu livro; A visibilidade por traz das máscaras descreve a arte na tonalidade do anonimato:

O anonimato se torna inevitável e imprescindível, no sentido de descentralizar a origem da ação, e para que ela não se esgote nela mesma. Uma ação anônima em uma manifestação carrega consigo a força de uma construção coletiva. Ninguém é dono absoluto de um ato, este surge do processo de interação com várias pessoas e nesse sentido o anonimato é uma forma de não apropriação de uma causa que é pública. As máscaras não servem de esconderijo covarde para os nossos rostos, como bem pregam as forças reacionárias, mas para expor o processo que nos levará à emancipação social como algo que só pode vir a acontecer por meio da ação coletiva autônoma sem rosto, sem líderes. A máscara é um símbolo para mostrar que somos iguais. Não há liderança, não há um maior, ou melhor, que o outro, é tudo horizontal. É dessa forma que somos, é dessa forma que vemos todo o resto [...] (GUIHON & PEDRO; 2014, P. 212)

Desta forma se apresentam nas entrelinhas coordenadas como um partido de anonymous internacionais e como o anonimato é o centro pivô desta arte proibida, ao critério e estilo da Wikipédia ficamos a ver navios sem saber se são cargueiros ou piratas.
Descreve DÉRI (2014) Black Block é um agrupamento tático de ação direta anarquista empreendida por grupos de afinidades de mascarados vestidos de preto, que se utilizam da propaganda pela ação para desafiar o poder. Organizada como estrutura efêmera informal sem hierárquica e descentralizada surgiu para defender as ocupações de sem tetos. Seu modulo operante, defende ataques aos símbolos do capitalismo e a roupa preta e a sua máscara, visam proteger a integridade física dos indivíduos garantindo seu anonimato e os caracterizando como um único grande bloco negro.
LUIZ (2014) em seu livro, Cartilha Black Block demonstra que a Black Block já chegou entre os Doutores universitários, que os descrevem. Para Dr. Pablo Ortellado (2013) USP, no Brasil, a velha estratégica de autodefesa esta presente e aliada à comunicação. A violência contra bancos, sedes do Governo e lojas de departamento, é uma performance de quebra-quebra com influência estética anarcopunk e visa disseminar uma mensagem contra os representantes do poder público e privado. Já para a Dra. Esther Solano (2013) UNIFESP, é um conceito de provocação que incute dúvidas e busca quebrar o senso comum. Temos que entender porque a Black Block merece tantas manchetes e capas? E a única resposta correta é; Porque a ação simbólica deles é um sucesso dentro das diferentes lógicas de julgar a violência.
DÉRI (2014) descreve que é inegável que na origem Black Block, como estética política da contracultura, traga a caracterização visual da roupa preta anarcopunk, bem como é inegável as suas raízes históricas como movimento autonomista surgido em Berlim Ocidental, onde a tática foi empregada pela primeira vez em 1980, com origens ideológicas no anarquismo, se disseminado através da contracultura punk via; fanzines, turnês de bandas e contatos entre ativistas, porem foi do México em 1990, que os anarcopunks se atraíram pela estética visual de formação de bloco cultural político qual caracterizava o Exército Zapatista de Libertação Nacional.

7. Conclusão

Assim as peças se encaixam na trama internacional das definições transcritas e decodificadas pelo acumulo histórico, fazendo com que o intragável anarquismo mesmo quando ignorado e tratado como um fruto de um partido proibido e por tanto perigoso ao Estado Burguês ao ponto que deva ser criminalizado, e as suas máscaras devam ser proibidas por medidas de força da Lei, e os seus militantes presos ou encontrados assassinados em mortes no mínimo suspeitas, o anarquismo em 2015 submerge em “Yellow Submarine” contracultural de The Beatles, como o diabo de Raul Seixas que gosta de dar os toques e avisos para a eterna volta a clandestinidade revolucionaria.  
Sair das Tribos Urbanas tidas como baderneiros e encenar a Contracultura como política é insurgir a fúria do lixo enlatado, do mesmo modo que a anarquia dos dicionários inquisitórios qual chama a deusa de Anatólia da fertilidade edênica como baderna é insurgir pro e contra ao dicionário Aurélio que os chama de ordem política, mais não a revela em beleza feminina de Ana ao mundo. Do mesmo modo que a nova geração de anarquistas cypherpunks que se constituiu como partido anonymous internacional foi retirado do dicionário Inglês mais importante do mundo, como se eles não existissem ou fossem um fruto político proibido. Neste mesmo sentido a mídia que faz bons olhos para a Anonymous e finge que a Black Block não faz parte do mesmo corpo político ao desmerecer a Arte do Anonimato, finge não querer tomar e derrubar do trono de espadas o príncipe pirata da bandeira negra da anarquia mundial de Anatólia.
Quando as juventudes anarquistas davam risadas da policia e dos conservadores que viram neles tão somente baderneiros com roupas estranhas, não era por menos tal zombaria estética contracultural, pois a inteligência daqueles que achavam que tinham ganhado a guerra ao se estabelecerem como único e verdadeiro Estado (Burguês) qual tinha este à crença de ter exterminado todos os filhos mestiços de Anatólia da face do mundo, eles comemoravam o disfarce estético contracultural, após uma década se escondendo na clandestinidade política do underground, pois as ingênuas autoridades não desconfiavam que florescera uma nova geração de anarquistas após o extermínio dos anarquistas espanhóis na Revolução Espanhola de 1936. E que a cada dia a mais, eles estavam mais organizados e mais articulados mundialmente contra o fascismo e contra o capitalismo, em ações que tomavam de assalto a audiência das comunicações midiáticas.
A ironia política era ontem e é hoje, um modulo fantasma operante de resistência popular que declara: Não temos lideres, não temos partido, nem tão pouco, temos deuses, pois não existimos! Assim é a máscara da vanguarda do líder anarquista mundial, constituído de forma fantasmagórica e plural como a Anonymous e a Black Block que insiste em dizer ironicamente a inquisição política: Há há há, NÓS somos só uma tática!
Assim encerro este trabalho dizendo como circunciso católico: Deus salve a Rainha do Espectro do Comunismo Internacional.

8. Apresentação a Banca

Introdução: Em meio ao cenário político internacional a contracultura nasceu da recusa das juventudes para com o serviço militar, encarnando a arte em movimentos corpóreos de almas políticas de espírito subversivo. Assim a Deusa da Arte que estava presa a física escultural, pode desfilar no cenário imaginário e subversivo hippie, produtor de sujeitos sociais artísticos na politização das tribos urbanas em plataformas da utopia organizada como símbolo estético ideológico que criara a unidade mística e mítica da arte viva e em movimento. Onde agentes contraculturais desenvolveram uma arte política que influenciou amplos setores sociais que se identificaram com o modulo das juventudes anarquistas, que cada dia mais estava radicaliza e organizada.
A influência histórica da estética política da contracultura é percebida como estilo artístico politizado, que se reconhece como sujeito social artístico organizado politicamente e justificado no cenário da conjuntura de tempos e espaços fortuitos radicalizados como estética artística politizada. Que começa na tribo urbana, politiza-se na contracultura, se radicaliza com o punk, se identifica com o anarquismo, se torna agente hacker, mitifica-se mascarado de Guy Fawkes, se organiza clandestinamente como partido anarquista internacional conhecido como Anonymous e age com um braço fantasma de ação direta conhecido por tática Black Block.
Metodologia: Entendendo as tribos urbanas contraculturais de forma inter-relacionadas e organizadas como imaginário de unidade estética insurgente, busquei uma literatura embasada como pesquisa e método de análise, para entender estas em seu vínculo simbólico mascarado e moldado como um clandestino partido internacional de juventudes, que insurgiu as ruas de todo o mundo, chamando a atenção para a suas táticas e tomando de assalto os noticiários.
Discussão: Quando as juventudes anarquistas davam risadas da polícia e dos conservadores que viram neles tão somente baderneiros com roupas estranhas, não era por menos tal zombaria estética contracultural, pois a inteligência daqueles que achavam que tinham ganhado a guerra ao se estabelecerem como único e verdadeiro Estado (Burguês) crente de ter exterminado todos os mestiços Anatolicos, fez das risadas punks a comemoração do disfarce estético contracultural após uma década se escondendo na clandestinidade política do underground, pois as ingênuas autoridades não desconfiaram que florescera novas gerações de anarquistas após o extermínio destes na Revolução Espanhola de 1936. E que a cada dia a mais, eles estavam mais organizados e mais articulados mundialmente contra o fascismo e contra o capitalismo, em ações que tomavam de assalto a audiência das comunicações midiáticas.
Em todas as suas comunicações, a ironia política avia se tornado um modulo operante de resistência popular que declarava: Não temos lideres, não temos partido, nem tão pouco, temos deuses, pois não existimos nem no dicionário!
Neste modulo a máscara da vanguarda do líder anarquista mundial é constituído pelo espectro do comunismo internacional de forma fantasmagórica e plural com a Anonymous e a Black Block, que insiste em dizer ironicamente a inquisição política que os persegue, usando do acumulo cultural televisionario:
- NÓS somos o seu pior pesadelo. Em referência aos clássicos de Terror.
- NÓS somos só uma tática! Em referência ao domínio da linguagem de guerra.
- Deus salve a Rainha dos Ingratos (Ingleses) do espectro do comunismo internacional! Referência a bandas Punks Inglesas e ao fantasma Guy Fawkes.
Os anarquistas se autodescobriram como um fruto social de uma sociedade midiatizada e repleta de contradições e fizeram de forma consciente a sua estética política contracultural como Cosplays. E neste momento foi possível existir socialmente quando se reconheceram como um sujeito social artístico politizado em meio ao domínio da mídia sobre a vida das pessoas.
Considerações Finais: Pode-se assim concluir que todas as peças se encaixam na trama internacional das definições transcritas e decodificadas pelo acumulo histórico, fazendo com que o intragável anarquismo mesmo quando ignorado e tratado como um fruto de um partido proibido e por tanto perigoso ao Estado Burguês ao ponto que deva ser criminalizado, e as suas máscaras devam ser proibidas por medidas de força da Lei, e os seus militantes presos ou encontrados assassinados em mortes no mínimo suspeitas, o anarquismo em 2015 submerge em “Yellow Submarine” contracultural de The Beatles, como o diabo de Raul Seixas que gosta de dar os toques e avisos para a eterna volta a clandestinidade revolucionaria.
Sair das Tribos Urbanas tidas como baderneiros e encenar a Contracultura como política é insurgir a fúria do lixo enlatado, do mesmo modo que a anarquia dos dicionários inquisitórios qual chama a deusa de Anatólia da fertilidade edênica como baderna é insurgir pro e contra ao dicionário Aurélio que os chama de ordem política, mais não revela Ana em sua beleza feminina proibida ao mundo.
Na mesma insurgência o termo cypherpunk constituído como partido anonymous internacional foi retirado do dicionário mais importante do mundo, como se não existissem ou fossem estes a serpente da tentação. Neste mesmo sentido a mídia que faz bons olhos para a Anonymous e finge que a Black Block não faz parte do mesmo corpo político ao desmerecer a Arte do Anonimato, esconde sua verdadeira intenção de querer tomar e derrubar do trono de espadas o príncipe pirata da bandeira negra da anarquia mundial de Anatólia.

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